A MEDICINA NA IDADE ANTIGA E AS PLANTAS MEDICINAIS

A medicina sempre foi considerada uma arte sagrada e era ensinada nos templos. O diagnóstico da doença estava associado ao pecado, e o paciente era isolado para evitar a contaminação a outras pessoas, tanto físicas como espirituais e psicológicas.

O fígado era considerado o centro da vida. O sistema médico era muito mágico e religioso em que as estrelas e os deuses eram a razão da cura, ou seja, a explicação da doença tinha uma origem sobrenatural. Para os indianos a medicina significava a ciência da vida e a civilização hebraica utilizava o sacerdote como responsável pela implementação das regras de higiene. Esta época histórica coincide com o surgimento das primeiras civilizações 4000 anos antes de Cristo. A exploração dos remédios naturais com plantas medicinais desenvolveu-se na descoberta de substâncias adequadas para aliviar doenças e tecidos entorpecidos, em que o médico utiliza o conhecimento para a recuperação da saúde e eliminação da doença e, dá importância primordial à nutrição vinda da natureza (comida orgânica) e viver em harmonia com o Sol, a Lua e o Universo, ou seja, uma Vida Natural, um estilo de vida limpo e consciente, uma forma de se respeitar e cuidar de si mesmo.

Nas civilizações antigas, conhecer as plantas e as suas virtudes terapêuticas, era fundamental para as terapias médicas e para os médicos que não tinham outros recursos para o tratamento das doenças. Haviam as oficinas para o processamento das plantas (officinali), autênticos laboratórios onde preparavam óleos, pomadas e chás para todo o tipo de enfermidades. Eram chamados de herboristas, hoje conhecidos como ervanários. Não era fácil a colheita das múltiplas variedades de plantas, por estarem disseminadas em lugares mais longincuos e, até inacessíveis. No século I depois de Cristo começaram a ser plantados jardins medicinais onde plantavam plantas medicinais que eram utilizadas pela Medicina Humoral Hipocrática, que foi muito aperfeiçoada e desenvolvida em Roma pelo histórico e famoso médico Dr. Galeno. Este médico foi o grande impulsionador e, o primeiro médico, a considerar a dietética como parte indispensável na terapêutica da alimentação através do uso das frutas, verduras, plantas medicinais, dando uma visão científica muito evidente e inequívoca.

Na idade média os árabes deram o grande impulso tanto à alquimia como à química, com a invenção do alambique, o que permitiu a descoberta do álcool. Esta nova substância derivada da destilação de ervas e plantas medicinais, teve repercussões no desenvolvimento farmacêutico de corantes e destilados. Os árabes eram muito estudiosos e muito entusiasmados pelo conhecimento científico, de tal forma que foram os primeiros a organizar uma farmacopeia com descrições de receitas e as respetivas dosagens, a forma como tomar (posologia), aplicar e, composições químicas. Entre os séculos XI e XIII foram elaborados os primeiros textos farmacêuticos, nos quais as teorias Grega, Romana e Árabe se fundiram e, resumiram a definição das operações fundamentais para cada procedimento, ou seja: loção, decocção, infusão e trituração. Nesta época, as especiarias e as plantas medicinais tiveram uma grande expansão e, a Escola de Salerno chamou a si a grande responsabilidade para a criação da especialidade “expert” na seleção das plantas em que abundam as várias indicações terapêuticas e, provando cientificamente a sua eficácia, conhecimentos adotados  por todas as indústrias farmacêuticas até aos nossos tempos. No ano 1700, o médico naturalista sueco Carl von Linée operou a primeira classificação dos seres vivos, particularmente com a nomenclatura binominal, em que identificou as espécies de plantas vivas, dividindo-as de acordo com classes ordens e géneros, trazendo o estudo das plantas para o posto de disciplina científica em todos os aspetos. Com a síntese dos ingredientes ativos das plantas medicinais na terapia médica natural, destaca-se a fitoterapia utilizada pelo homem em todas as épocas da sua história.

 

⌈ Juvenal Silva, Naturopata
Cédula Profissional 0300193 – ACSS ⌋